Viadutos transformados: verde nos caminhos de concreto

Já falamos em um post passado sobre o problema da poluição atmosférica da Cidade do México. Agora, esta mesma cidade está transformando seus viadutos, com o mesmo intuito: melhorar a qualidade do ar.

 

via verde projeção
Projeção do Periférico da Cidade do México com os jardins verticais. (Fonte: Plataforma Arquitectura)

 

O projeto se iniciou através de uma petição pública, em março deste ano. Lá, foi evidenciado que seis em cada dez habitantes já sofrem de problemas respiratórios. Por quê? Talvez pelo “simples” motivo da Cidade do México possuir apenas 5.3 m2 de área verde por habitante. A Organização Mundial da Saúde recomenda no mínimo 9m2 per capita, ou seja, um déficit equivalente a 30 milhões de m2 de áreas verdes.

Aí veio a ideia: mudar a paisagem urbana em uma das ruas mais movimentadas da cidade, transformando as colunas do segundo andar de um viaduto em jardins verticais. E assim foi feito! A intervenção urbana, nos 27 km do anel periférico, garante novas áreas verdes para Cidade do México.

Desenvolvido por Verde Vertical, escritório mexicano especializado no assunto, o Via Verde foi inaugurado dia 12 de julho de 2016. São cerca de 1000 pilares, que estão sendo revestidos com 60.000 m2 de jardins verticais.

 

via verde viadutos méxico
Antes da inauguração. (Fonte: Plataforma Arquitectura)

 

As espécies vegetais escolhidas são resistentes e apropriadas ao clima e às condições do entorno. O projeto conta com um sistema de rega automática e monitoramento remoto, para facilitar a manutenção e manter sempre a vegetação em excelentes condições.

 

Algumas espécies utilizadas no Via Verde: Peperômia, Aralia, Hera, Clorofito, Liríope, Filodendro e Trapoeraba
Algumas espécies utilizadas no Via Verde: Peperômia, Aralia, Hera, Clorofito, Liríope, Filodendro e Trapoeraba. (Fonte: Plataforma Arquitectura)

 

Etapas da instalação dos jardins verticais do Via Verde. (Fonte: Via Verde Site Oficial)
Etapas da instalação dos jardins verticais do Via Verde. (Fonte: Via Verde Site Oficial)

A água utilizada na irrigação é coletada do escoamento do segundo andar da avenida. Se o volume das águas pluviais não for o suficiente, o excedente será água de reuso para economizar a potável.

A instalação é simples. O sistema construtivo é pré-fabricado, de alta durabilidade e fácil montagem. Não há necessidade de mudanças estruturais, nem nos pilares nem nas vias e viadutos, pois os jardins verticais são colocados em armaduras sobrepostas que englobam as colunas, onde são fixados painéis que recebem a vegetação.

A instalação segue as seguintes etapas: anéis metálicos perimetrais são fixados sem perfurar a estrutura base, pois utilizam uma fixação via tensão. Esses anéis se sustentam através de travessões metálicos e postes verticais, que fornecem rigidez total a peça. Com a estrutura de suporte fixada, são colocados painéis pré-fabricados estruturados, um isolante plástico, para não prejudicar a estrutura do viaduto com o contato direto da umidade, e um substrato têxtil hidropônico, onde são plantadas as espécies vegetais.

 

Os painéis são movéis, para a manutenção dos pilares. (Fonte: Via Verde Site Oficial)
Os painéis são movéis, para a manutenção dos pilares. (Fonte: Via Verde Site Oficial)

A fim de permitir a inspeção visual das colunas de concreto, os painéis podem ser movidos facilmente para fazer os serviços de manutenção preventiva.

Tanto instalação quanto a manutenção dos jardins são financiadas pelo setor privado. Em troca, o governo permitiu que 10% da área de superfícies dos pilares fossem destinados a publicidade.

O projeto Via Verde é considerado uma das maiores naturalizações urbanas já efetuada, segundo o site oficial. Estima-se produzir oxigênio para 25.000 habitantes, filtrar mais de 27.000 toneladas de gases, captar 5.000 kg de poeira e processar mais de 10.000 kg de metais pesados.

Incrível, não? Cidades onde o processo de urbanização é irreversível, a solução de criar jardins verticais e telhados verdes é uma alternativa viável.

O Via Verde espera incentivar o uso desta ideia em mais pontos da cidade. Em São Paulo, parece que já tem gente se inspirando no projeto. Já imaginou nossos viadutos repaginados?

 

E nos nossos viadutos? O caso do Minhocão

O Minhocão, construído na década de 70, corta o centro da cidade de São Paulo. É considerado uma fonte de poluição direta, principalmente, pelos moradores dos edifícios do entorno. Diversas soluções e projetos já foram desenvolvidos para a área, inclusive contemplando sua demolição.

Pois bem, os movimentos Novas Árvores Por Aí e Parque Minhocão fizeram um projeto para colorir o Minhocão, colocando trepadeiras e árvores nativas nas suas bordas. O primeiro plantio já ocorreu nos acessos próximos à Praça Roosevelt.

 

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Projeto para colorir o famoso Minhocão. (Fonte: Eco Rede Social)

 

Segundo Nik Sabey, um dos idealizadores, a iniciativa partiu dos jardins verticais dos prédios do próprio viaduto. Estudando o assunto, percebeu que os custos altos para fazer o mesmo do Via Verde nos pilares do Minhocão inviabilizavam a ideia. Segundo dados do portal Plataforma Arquitectura, cada coluna custou cerca de 450 mil pesos, o equivalente ao plantio de 300 árvores com um ano de idade.

Assim, Nik criou alternativas para tornar esses jardins brasileiros mais acessíveis, através do uso de trepadeiras de baixa manutenção, árvores e cabos de aço. Algumas das espécies escolhidas foram o Cipó de São Jorge, Cipó de Sino e Bertalha Coração.

 

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As espécies nativas utilizadas no projeto. (Fonte: Eco Rede Social)

 

E nos nossos viadutos? O caminho do Monotrilho

Mais um projeto um tanto polêmico na nossa cidade, não é mesmo? E se ele recebesse o mesmo tratamento do Via Verde, como seria? O Greentopia imagina que seja algo assim…

Projeção de como ficariam os pilares do monotrilho na Av. Roberto Marinho.
Projeção de como ficariam os pilares do monotrilho na Av. Roberto Marinho.

 

E você? Já imaginou um projeto desses na sua cidade? Transformando caminhos tão tomados de concreto, alterando a paisagem urbana? Gerando benefícios ambientais, como melhorias no clima, pois diminui os efeitos de ilhas de calor? E na qualidade do ar e na saúde da população? Apesar de polêmico e por mais complicado que seja sua manutenção ao longo do tempo e principalmente, estabelecer de quem é a responsabilidade pelos gastos, achamos que essa sementinha vale a pena ser semeada…

 

 

 

Fontes:

Ciclo Vivo 1Ciclo Vivo 2Eco CosasEco Rede SocialExamesHiper TextualMetro SPMexico News NetworkNovas Árvores Por AíParque MinhocãoPetição ChangePlataforma ArquitecturaVerde VerticalVia Verde Site Oficial

 

 

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